O Prémio FAZ Ciência é uma iniciativa anual da FAZ em parceria com instituições, organizações ou associações médicas ou científicas. O Prémio pretende distinguir os melhores projetos de investigação translacional (que englobe pesquisa empírica e trabalho de campo) em diversas áreas terapêuticas. O montante do prémio varia entre os cinco e os 35 mil euros, sendo definido pela comissão de avaliação consoante os projetos apresentados.


3.ª Edição Prémio FAZ Ciência

A terceira edição do Prémio Faz Ciência decorre em parceria com a Sociedade Portuguesa de Oncologia e visa premiar projetos de investigação translacional em Oncologia. As candidaturas decorrem até 31 de janeiro de 2020, sendo os vencedores anunciados em abril de 2020.



Comissão de Avaliação

Conheça os cinco elementos que fazem parte da Comissão de Avaliação:

Ana Raimundo


Licenciada em Medicina pela Universidade do Porto. Realizou o Internato de Especialidade em Oncologia Médica entre 1997 e 2001 no Instituto Português de Oncologia do Porto. Foi Assistente Hospitalar de Oncologia Médica, no Hospital de S. João entre 2002 e 2003 e, no IPO do Porto, entre 2004 e 2016. Desde 2016 que é Assistente Hospitalar Graduada de Oncologia Médica do IPO do Porto e da CUF Infante Santo. É membro da European Society for Medical Oncology (ESMO), da Direção da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), do Grupo de Investigação de Cancro Digestivo (GICD) e do Grupo European Organization for Research and Treatment of Cancer (EORTC), com participação ativa nos Grupos de Cancro Digestivo e Melanoma.

Noémia Afonso


Oncologista Médica, atualmente exercendo funções no serviço de Oncologia Médica - Res­ponsável pelas áreas de Cancro da Mama e Ginecológico do Centro Hospitalar do Porto. De 2004 a 2016 foi Assistente Hospitalar de Oncologia Médica no Serviço de Oncolo­gia Médica do IPO Porto, tendo sido Coordenadora de Oncologia Médica da Unidade de Cancro da Mama de Junho de 2013 a Maio de 2016. Tem tido uma participação ativa em mais de 30 ensaios clínicos nas áreas de Cancro da Mama e Cancro do Ovário, tendo sido Investigadora Principal em 11 destes ensaios clínicos e Investigadora-Coordenadora em 5. Em 2001 Obteve a especialidade em Oncologia Medica no IPO Porto. Em 1992 concluiu a Licenciatura em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Membro das Sociedades Médicas: ESMO. SPO (Sociedade Portuguesa de Oncologia): membro da Direção entre 2012-2014 e desde Fev. 2018. SPS (Sociedade Portuguesa de Senologia): membro da Direção desde Jan. 2016.

José Carlos Machado


José C. Machado (JCM) é vice-presidente do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup), onde também ocupa a posição de Coordenador de Grupo. É Professor Associado da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. O principal interesse científico é a genética molecular do cancro e a genética de doenças complexas, sendo internacionalmente reconhecido pela investigação na área do cancro gástrico associado à infeção por Helicobacter pylori. A principal questão científica subjacente à investigação do grupo de que é coordenador é perceber como é que a informação genética é transferida entre células cancerosas, e que impacto tem este processo sobre a heterogeneidade, a diversidade e plasticidade das células cancerosas. JCM recebeu suporte financeiro competitivo de agências como a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), Agência de Inovação (ADI), Ministério da Saúde e Comunidade Europeia (EC). JCM é também responsável pela unidade de prestação de serviços de diagnóstico do Ipatimup. Esta unidade tem acreditação CAP (Colégio Americano de Patologistas), ISO15189:2014 e ISO17025:2005 e é um laboratório de referência em Portugal para a deteção de biomarcadores em cancro, diagnóstico genético e anatomia patológica. À data de Outubro de 2017, JCM (Scopus Author ID 7102792651) é co-autor de 138 publicações científicas em revistas internacionais com arbitragem científica, com um número total de 8209 citações e um h-index de 38.

Bruno Silva-Santos


Bruno Silva-Santos é Vice-Diretor do Instituto de Medicina Molecular (iMM Lisboa) e Professor Associado da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Fez um doutoramento e um pós-doutoramento em Imunologia na Cancer Research UK - The London Research Institute e King's College London, respetivamente. Como líder do iMM Lisboa, Bruno Silva-Santos recebeu “Starting and Consolidator Grants” do European Research Council (ERC) e Installation and Young Investigator Grants da European Molecular Biology Organization (EMBO). A sua investigação dedica-se às respostas das células T aos tumores, tendo dissecado novos mecanismos moleculares de diferenciação e reconhecimento de células tumorais, e foi publicada em 70 artigos internacionais em revistas peer-reviewed. O seu trabalho de investigação translacional foi reconhecido com vários prémios; tendo originado uma start-up focada em imunoterapia, a Lymphact, onde Bruno Silva-Santos lidera o Conselho Científico. Ele é editor de seis revistas peer-reviewed, incluindo a OncoImmunology, a Frontiers in Immunology and Oncology e o European Journal of Immunology.

Paulo Cortes

Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa (FML) em 1986. Realizou o Internato de Especialidade de Medicina Interna no Serviço de Medicina I do Hospital de Santa Maria (HSM).
Desde 1990 trabalhou simultaneamente no Hospital de Dia de Oncologia Clínica do HSM. Em 1991, foi bolseiro da Comissão das Comunidades Europeias na Clinical Oncology Unit, do Guys Hospital em Londres.
Em 1994, obteve o título de Especialista em Medicina Interna, com a classificação final do Internato Complementar de 19,4 valores. Tem o título de Especialista em Medicina Interna (1995) e de Especialista em Oncologia Médica (1997), pela Ordem dos Médicos. Assistente Hospitalar de Oncologia Médica desde 1995 e Assistente Hospitalar Graduado de Oncologia Médica da Carreira Médica Hospitalar, com o Grau de Consultor, no Serviço de Oncologia Médica do HSM até 2015.
Orientou estágios de Oncologia de colegas de outras especialidades e de internos da especialidade de Oncologia. De 2002 a 2007, lecionou no Curso de Mestrado em Cuidados Paliativos, na FML.
Desde 2009 é o Coordenador da Unidade de Oncologia e do Hospital de Dia Médico do Hospital dos Lusíadas.
Vice-Presidente da Comissão de Ética do Hospital dos Lusíadas.
Membro da Direção da Sociedade Portuguesa de Senologia.
Presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia.
National Representative de Portugal na ESMO ( European Society of Medical Oncology).



Cerimónia de entrega do Prémio FAZ Ciência 2019

Vencedores

“Cellular and molecular regulators of multifaceted γδ T-cells in the tumor microenvironment” foi o projeto vencedor do Prémio FAZ Ciência 2019. Liderada por Bruno Silva-Santos, do Instituto de Medicina Molecular – João Lobo Antunes (IMM), a equipa dedica-se à investigação de um conjunto de linfócitos que infiltram o tumor e que podem contribuir para a sua progressão.

Nas palavras do vencedor “o que nós queremos é manipular a resposta imunitária, de forma a que ela seja o mais antitumoral, que destrua as células tumorais, evitando uma natureza controversa e paradoxal que ela até pode ter, que é de ajudar o tumor a crescer. Isto é, dentro do sistema imunitário, temos células que são nossos aliados contra o cancro e células que são nossos inimigos porque ajudam o tumor a crescer. E o nosso projeto tenta manipular este balanço de forma a termos uma melhor forma imunitária contra o cancro. Focando numa população de células que estudamos no laboratório com grande intensidade – as células gama delta – e vendo como é que os nutrientes do ambiente tumoral e as outras células que estão dentro do tumor regulam este balanço e como é que os podemos usar a favor de erradicar o tumor.” Foram estas as razões que levaram o júri a atribuir uma bolsa no valor de 35 mil euros para dar continuidade ao projeto. 


Maria Mota

Maria Manuel Mota, reconhecida investigadora internacional que há mais de 20 anos trabalha na área da malária, também diretora executiva do iMM, partilhou um pouco da sua vasta experiência enquanto cientista. “Fazer ciência – os desafios de fazer ciência no feminino” foi o tema da sua intervenção, que a levaram a refletir sobre o que é fazer ciência e respetiva importância, os apoios à ciência e como é ser mulher e cientista. No final da sessão, a investigadora afirmou que “a investigação cientifica em Portugal precisa enormemente de fundos”, sendo a falta de financiamento e a regularidade do mesmo um dos maiores desafios para a comunidade científica. Maria Mota salientou também que a investigação na área da Imuno-oncologia tem muito futuro, havendo muitos grupos de investigadores no país a trabalhar o tema, tal como se refletiu nas candidaturas ao Prémio FAZCiência 2019.

Vencedores e menções honrosas 

A comissão de avaliação do Prémio FAZCiência 2019 atribuiu ainda duas menções honrosas a: Nuno Rodrigues dos Santos, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) pelo projeto “Development and optimization of an antibody mediated targeted therapy against T-cell acute leucemia” e a Rita Fior, da Fundação Champalimaud, pela pesquisa subordinada ao tema “Discover new compounds to boost innate-tumor rejection for immunotherapy”.

Na cerimónia, Paulo Cortes, presidente da direção da Sociedade Portuguesa de Oncologia e presidente da comissão de avaliação do Prémio FAZCiência 2019 fez um balanço muito positivo desta segunda edição do Prémio FAZCiência. “A forte participação e o interesse gerado faz-nos confiar e perceber que no território nacional existem trabalhos em curso com investigação de enorme potencial, que nos abrirão portas a novas terapêuticas e técnicas de diagnóstico e prevenção da doença oncológica. É importante prosseguirmos juntos no caminho da inovação e da excelência, continuando a acarinhar este projeto nas suas futuras edições.” Rosário Trindade, vice-presidente do conselho de administração da FAZ, considera que “este prémio corporiza o contributo da Fundação AstraZeneca com a área da saúde em Portugal, através do reconhecimento da melhor  investigação feita no  país”.


Carolina Ruivo

Carolina Ruivo, investigadora da equipa de Sónia Melo, vencedora do Prémio FAZCiência 2018, teve oportunidade de fazer um ponto de situação do projeto que pretende  “Tornar a imunoterapia uma realidade para doentes com cancro do pâncreas”. A investigadora do i3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, no Porto, salientou que “este prémio foi muito importante. Sem a atribuição do mesmo esta investigação dificilmente teria avançado”.

Cerimónia de entrega do Prémio FAZ Ciência 2018

Vencedora Sónia Melo

“Tornar a imunoterapia uma realidade para doentes com cancro do pâncreas” foi o projeto vencedor do Prémio FAZ Ciência 2018. Liderada por Sónia Melo, a equipa de investigadores do i3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, no Porto, recebeu uma bolsa de trinta e cinco mil euros para apoio ao desenvolvimento do seu projeto. Na base da proposta está o facto do adenocarcinoma ductal pancreático apresentar uma elevada taxa de mortalidade e de, para os doentes, as opções terapêuticas serem limitadas, a par da sobrevivência não ter sofrido grandes alterações nos últimos 40 anos. Sabendo que os exossomas (nano-vesículas produzidas por todas as células do corpo humano) libertados pelas células de cancro contribuem para reprogramar o microambiente do tumor, tornando-o insensível à imunoterapia, a equipa propõe-se a alterar esta situação através do uso de modelos pré-clínicos, visando os exossomas do cancro, tornando o tumor suscetível à imunoterapia e, desta forma, abrindo a possibilidade a uma nova estratégia terapêutica com grande potencial para melhorar a sobrevivência dos doentes.

Jesús Ponce (FAZ), Sónia Melo (Vencedora) e Paulo Cortes (SPO)

Paulo Cortes, presidente da Direção da Sociedade Portuguesa de Oncologia, salienta que “um dos objetivos da SPO é o patrocínio de projetos de investigação e a interligação entre os vários grupos de investigação, cooperativos e universidades, nacionais e internacionais. Neste sentido, abraçamos esta parceria com a Fundação AstraZeneca na atribuição do prémio FAZ Ciência com a maior satisfação e empenho”. Jesús Ponce, presidente da Fundação AstraZeneca, acredita que “o futuro da medicina passa pela inovação, pela busca do desconhecido, na procura de soluções inovadoras no diagnóstico e tratamento de necessidades médicas não preenchidas, com potencial para mudar as vidas dos doentes. O responsável considera que em Portugal se faz investigação científica de grande qualidade, que merece ser distinguida e apoiada”

Professor Sobrinho Simões

Orador convidado, Manuel Sobrinho Simões, fundador e diretor do IPATIMUP, referiu que “a investigação translacional depende de uma colaboração muito mais intensa entre clínicos e cientistas do que é habitual entre nós”, salientando que é necessário que “as perguntas dos clínicos sejam trazidas para o laboratório e aí tratadas experimentalmente”. O especialista considera que prémios como o ‘FAZ Ciência’ são importantes, “na medida em que introduz a noção de que há uma recompensa ao mérito, reforça a convicção de que vale a pena procurar fazer bem.” Acrescentou ainda que “é fundamental assegurar o financiamento estável das instituições onde se faz ciência de melhor qualidade (a avaliação institucional com recompensa ao mérito é indispensável para manter o ‘tecido’ funcionante), assim como assegurar a abertura regular de concursos para projetos de investigação com dotações financeiras apropriadas e transparência/celeridade nos processos de avaliação. Finalmente, é fundamental não destruir os Programas Doutorais de muita qualidade que existem nesta área, pois a qualidade da investigação depende, antes de qualquer outra coisa, da qualidade das pessoas”.

                Veeva ID: PT-5899

                Aprovado a 12/12/2019